Em Cuba, o fenômeno conhecido como “boom evangélico” pós-ateísmo estatal refere-se ao crescimento acelerado das igrejas evangélicas (especialmente pentecostais e neopentecostais) na ilha, após décadas de repressão religiosa promovida pelo regime comunista.
Contexto histórico
Após a Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro, o país adotou oficialmente o ateísmo como política de Estado. A Constituição de 1976 declarava o ateísmo como base da “concepção materialista científica do Universo”, levando a medidas como fechamento de igrejas, expulsão de missionários, nacionalização de escolas católicas e discriminação contra crentes em empregos e educação. A religião era vista como “ópio do povo” e incompatível com o socialismo.
Em 1992, com o colapso da URSS e a crise econômica do “Período Especial”, o governo removeu a menção ao ateísmo da Constituição, abrindo espaço gradual para maior tolerância religiosa. Visitas papais (como a de João Paulo II em 1998) e encontros com líderes evangélicos ajudaram a normalizar a presença cristã.
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O crescimento recente
Nos últimos anos — especialmente na década de 2020 e intensificado em 2025 —, há um aumento notável de evangélicos, impulsionado pela profunda crise econômica (a pior em 30 anos), escassez de alimentos, energia e remédios, desemprego e emigração em massa. Muitos especialistas apontam que as igrejas evangélicas oferecem suporte comunitário, esperança espiritual e redes de ajuda prática, atraindo fiéis em periferias e áreas rurais.
Principais pontos das notícias de 2025:
- Aumento visível: Apesar da ausência de censos oficiais recentes (o último completo é de 1953, com atualizações parciais), pesquisadores como Pedro Alvarez Sifontes (da Universidade de Havana) confirmam crescimento significativo nos últimos cinco anos. Organizações como Outreach Aid to the Americas estimam que os evangélicos possam representar cerca de 20% da população (aproximadamente 2,2 milhões de habitantes em 11 milhões totais), aproximando-se da metade do número de católicos.
- Manifestações públicas: Orações em grupo nas ruas de Havana (fenômeno raro até recentemente), cultos lotados e eventos de louvor em espaços públicos ou alugados (como o caso de milhares reunidos fora de um local cancelado em Santiago de Cuba em 2025).
- Fatores impulsionadores: Crise econômica + redes sociais (que facilitam divulgação de cultos e testemunhos) + apelo das igrejas pentecostais, com ênfase em cura, prosperidade e comunidade. Há também impacto político: alguns evangélicos participam de ações cívicas contra o regime, como vigílias e protestos em 2025.
- Desafios persistentes: Mais de 80% das igrejas evangélicas não têm registro legal (só as pré-1962 são reconhecidas facilmente), levando a repressão, vigilância, demolições e 996 atos repressivos contra líderes religiosos em 2024 (sem redução em 2025, segundo a Alliance of Christians in Cuba). Cuba aparece em listas de perseguição (como a da Portas Abertas, em posições médias, devido a opressão comunista).
Repercussão em 2025-2026
Matérias da BBC News Brasil, G1, Guiame, Folha de S.Paulo e outros portais brasileiros destacaram o tema em julho de 2025, com títulos como “Como Cuba, que já foi país ‘ateu’, agora vê crescimento de evangélicos”. No X (Twitter), posts de veículos como @bbcbrasil, @folha e @PlenoNews viralizaram, com debates sobre se o crescimento reflete frustração social ou busca espiritual genuína.
Alguns estimam que mais de 60% da população cubana seja cristã em sentido amplo (incluindo católicos e sincretismos afro-cubanos), mas o foco evangélico é o mais dinâmico e visível atualmente.
Esse boom ocorre em paralelo a uma diversidade religiosa maior na ilha (incluindo santería, budismo e islamismo), marcando uma transição de “Estado ateu” para uma sociedade onde a fé preenche vazios deixados pela crise sistêmica.