Pergunta adulta e resposta de criança

Quando a pergunta é adulta, mas a resposta é de criança: no Reino de Deus não vence quem compete, mas quem se torna humilde como criança.
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Redação

Equipe de redação do portal FPC

No Evangelho de Mateus, capítulo 18, dos versos 1 ao 4, lemos um diálogo entre Jesus e seus discípulos, de onde nasce uma pergunta e uma resposta sobre as quais quero meditar.

A pergunta é:

“Quem é o maior no Reino dos céus?”

Essa pergunta é típica de homens adultos e revela o coração de alguns adultos: disputas, competições, querelas, partidos, dentre outros.

Tais comportamentos e disputas sobre quem eram os maiores eram comuns na época de Jesus.

Os judeus estavam divididos em vários grupos. Havia os fariseus, rigorosos na lei, que se gabavam por sua observância e por seus rituais de pureza. Os saduceus, que rejeitavam toda a tradição oral e aceitavam apenas a lei escrita. Os essênios, que se afastavam da sociedade por acreditarem que tudo estava corrompido. E os zelotes, que viam na revolta armada contra Roma a expressão máxima da fé.

Mesmo entre os discípulos de Jesus, esse espírito de disputa se manifestava: “Quem era o maior?”, “Quem era o menor?”, “Quem se assentaria à direita ou à esquerda do Mestre?”

E é a essa pergunta, tão adulta, nascida da ambição e da soberba espiritual, que Jesus responde com o simbolismo de uma criança. O texto diz:


“E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus.” (Mateus 18:2-4)


A resposta de Jesus nos desafia profundamente. Porque, com toda certeza, ainda hoje fazemos parte de grupos, denominações e movimentos, e as disputas continuam.

Quem é o mais ungido? Quem é o mais santo? Quem tem mais fé? Qual é a igreja mais correta? Qual é o grupo mais cheio do Espírito?

Mas quem de nós quer ser como uma criança diante de adultos? Quem quer parecer pequeno, ingênuo ou sem status?

Não que ser como uma criança signifique imaturidade, mas os adultos, presos à lógica da competição, costumam enxergar a humildade como fraqueza.

Jesus, porém, deixa claro: ninguém entra no Reino dos céus por competir bem aqui na terra. Não é o desempenho, nem a disputa, nem a vitória sobre os outros que abre as portas do Reino. É a humildade de quem sabe se tornar pequeno.

No Reino dos céus, não há trono para os vencedores das competições humanas, mas lugar para os que se ajoelham como filhos diante do Pai.

 

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